quinta-feira, 20 de novembro de 2025

O Segredo do Olho - Sonho Mundos de Adam Kadmon

Em 2010 antes de eu completar 16 anos, minha mente estava mergulhada no Caos total, pois eu estava começando a sofrer de ansiedade devido a pensamentos muito rígidos e então eu tive um sonho único e ele estava repleto numa aura escarlata e fumaça avermelhada e havia um olho gigante de avestruz parado olhando para mim de modo que atravessava o meu íntimo, e o próprio avestruz era o olho e vice-versa simultaneamente e o principal no sonho era esse olho, tive muito medo dessas coisas de modo que acordei sofrendo um ataque de pânico e foi o primeiro que tive desde então, este episódio também causou que eu amolecesse os meus pensamentos.

Então hoje, 20 de novembro de 2025 ao estudar o Sefer Etz Chaim no portão 8 no começo da explicação sobre a Shevirat haKelim, eu compreendi o sonho e o segredo nele não tem a ver com o que pensei até aqui, mas o que aconteceu é que assim como foi o caso de outros sonhos que tive, a partir da influência da Ohr Maquif do Rav Mishael, aquelas centelhas se lembravam do assunto e acessaram-no, pois foi o Rav Vital quem os escreveu; a parte mais simples é que tanto a palavra para avestruz (יַעֵן) quanto a palavra para olho (עַיִן) em hebraico contém as mesmas letras bastando mudar de posição significando que se tratam do mesmo segredo. E o sonho tinha uma aura demoníaca porque os meus pensamentos estavam sombrios (e não só, pois a Quebra das Vasilhas chamada também de Mundo do Caos ocorreu nesse nível), contudo a raiz do assunto é a seguinte:

Trechos do portão 8

"Agora explicaremos o Olam haNekudim (Mundo dos Pontos), que são aspectos de luzes que saem pelos orifícios dos olhos de Adam Kadmon. (...) E as Nekudot são o aspecto das luzes que se prolongam dos olhos. E o assunto é o seguinte:

O vapor (hevel) que sai dos orifícios dos ouvidos é um vapor pequeno. Pois, se uma pessoa colocar o dedo sobre o orifício da orelha e o fechar com força, sentirá dentro um som abafado; isso se deve ao movimento do vapor dentro dele, que quer sair para fora e não consegue. Mas, ao tirar o dedo, isso não é percebido. E desse vapor saíram as dez Sefirot do aspecto dos ouvidos, conforme explicado acima.

Depois, no nariz (chotem) há um vapor mais perceptível, e saíram as dez Sefirot do nariz, como dito. E depois, na boca (peh) há um vapor mais perceptível que todos, porque quanto mais a luz desce, mais é sentida, percebida e revelada ali. E daí saíram as dez do Akudim. E esses três lugares são o aspecto dos Taamim do Sa”G.

E depois, do olho saíram as Nekudot do Sa”G. E, portanto, não há tanto vapor no olho como nos três lugares mencionados acima, pois a luz dos Nekudim é pequena, diferente dos Taamim. Mas, apesar disso, encontramos alguma força na “contemplação” (na visão) do olho, perceptível naturalmente: como no caso do ovo do avestruz, em que o filhote nasce por causa do olhar constante sobre os ovos por um tempo, sem que a ave se sente sobre eles para aquecê-los como as outras aves. E isso indica que há uma força real na contemplação dos olhos.

E desse aspecto da contemplação dos olhos saíram as Nekudot (...) Pois todo o aspecto dos olhos é Nekudot, como dito acima. E eis que, quando contares a partir de A”B, todo o aspecto de A”B será a letra י do Nome, e Sa”G será a primeira ה do Nome, e Ma”H será a letra ו, e Ba”N será a última ה.

E quando contarmos o Nome somente a partir do aspecto de Sa”G, então os Taamim de Sa”G serão a letra י, e as Nekudot serão a primeira ה, e os Tagin serão a letra ו, e as Otiot serão a última ה.

E quando também dividirmos os Taamim, a letra י estará no ouvido (Ozen), a primeira ה estará no nariz (Chotem), a ו estará na boca (Peh), e a última ה estará nos olhos (Einayim).

Portanto, o olho possui o aspecto da última ה e também da primeira ה.

E este é o segredo do que está dito nos Tikunim: “Eu estou adormecida” — frente à última ה — pois no aniquilamento da luz de Nekudim, eu estou adormecida, no segredo do sono (isto é, no segredo da morte deles, depois que foram anulados, pois sono é um sexagésimo da morte).

Também “eu estou adormecida” [pode ser lido como] as letras “segunda”, pois Chochmá é a primeira ה, e ela é segunda em relação ao Keter. Pois é sabido que os Taamim são Keter, e as Nekudot são Chochmá, e os Tagin são Biná, e as Otiot são ZAT (as sete inferiores).

Portanto, o olho é o aspecto de Chochmá, que são as Nekudot.
E este é o motivo pelo qual os sábios da assembleia foram chamados “os olhos da congregação”, como está escrito: “E será, se dos olhos da congregação…”.

E nestas Nekudot estão os aspectos dos Reis que reinaram na terra de Edom e morreram, como será explicado com a ajuda do Eterno.

E este é o segredo de “E a terra estava tohu va’vohu”, pois a terra é a última ה, que é o aspecto do olho, como dito acima; e é ela que estava tohu va’vohu, que é o assunto da morte dos Reis, até que veio o seu reparo; e então foi dito: “Haja luz, e houve luz”.

E isto é “Abre os Teus olhos e vê as nossas desolações”.

E para entender este versículo, explicaremos a existência do assunto (ou: a existência do olho), e diremos o seguinte:

Eis que as Nekudot são nove:
Kamatz, Patach, Tzere, Segol, Shevá, Chólem, Shuruk, Chirik, Kibutz.

Contudo, também há nelas aspectos superiores, que são os sinais de vocalização colocados em cima — como o Chólem — e no meio — como o Shuruk — e todos os demais são inferiores, cujo lugar é debaixo das letras. E depois tudo isso será explicado com a ajuda do Eterno.

E eis que todas as sete últimas das Nekudot têm forma de Yudin, exceto as duas primeiras — Kamatz e Patach — que são duas Vavin e um Yud.

E o assunto é que, quando contamos todos os Yudin que existem nestas sete Nekudot, eles são treze Yudin, cujo valor é 130, como o valor de עין (“olho”), indicando que das Einayim (olhos) saíram as Nekudot.

O sonho antecipou conceitos que eu só estudaria 15 anos depois. O sonho estava simbolizando “O Olho do Mundo de Nekudim” usando a figura do avestruz porque o Rav Chaim Vital mesmo fez essa ponte no portão 8. Os ataques de ansiedade nos quais a percepção do mundo é caótica e sem estrutura são pequenas manifestações do Mundo do Caos, porque o Tohu é uma grande quantidade de energia de julgamento completamente desordenada, também esta é a origem dos sonhos confusos que temos nos quais imagens de realidade se misturam com fantasia, de modo que, por exemplo, no sonho pode existir uma mesa com chifres de cervo ou dentes humanos na boca de um animal, ou você está de um jeito e rapidamente te parece que está de outro jeito e ambas as coisas são verdadeiras e etc.

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

AS LEIS DO PENSAMENTO

 Espaço haykla arazuta: UM REMEZ DE SHABAT (28, CHESHVAN) PARA EXPANDIR BINÁ CULTIVANDO O INTELECTO E PROTEGENDO O SEU PENSAMENTO DE FALHAS:

Tehilim 92:4 “Sobre o instrumento de dez cordas (asor) e sobre o saltério (nevel); sobre higayon (meditação sonora) com a lira (kinnor).”
O versículo descreve os instrumentos musicais usados no cântico de Shabat no Templo. A palavra Higayon (היגיון) usada pelo recitante para indicar uma melodia, um cântico meditativo, pode ser interpretada no nível remez como "o pensamento/raciocínio estruturado", pois Higayon também é traduzido como "a arte da Lógica".
Ora, quando o salmista diz “עֲלֵ֖י הִגָּי֣וֹן” — literalmente “sobre o higgayon ”, devemos compreender que ele está organizando o seu intelecto para alcançar (hasagá) corretamente os assuntos intelectuais (muskalot) no que diz respeito à Existência, conforme explica o Ramchal em seu livro Sefer haHigayion:
"Eis que todo o esforço do intelecto (ha-séchel) e sua aplicação é para apreender as coisas conforme a sua verdade. Entretanto, pode acontecer que ele se engane nelas, e aquilo que compreende delas seja falso; portanto, necessita de um estudo para saber reconhecer os pontos de tropeço nos quais pode cair, e saber como se guardar deles, até que sua apreensão (hasagá) seja verdadeira. (...)
Quando contemplamos (nashkif) as criaturas da terra e aquilo que lhes sucede, vemos que Hashem deu aos seres humanos uma parte grande na ordenação (yishuvo) deste mundo e na complementação (hashlamat) de toda a sua plenitude; até que podemos dizer que a Criação de Bereshit, no que diz respeito a essa parte, não foi senão como um começo para estas existências e como potencialidades (kochaniyot) para a sua complementação. Porém, a complementação em ato foi entregue inteiramente ao homem.
E já nos ensinaram nossos Sábios, de memória bendita, sobre a verdade deste assunto, quando disseram que tudo o que foi criado na obra da Criação necessita de tikun; o trigo necessita moagem, os tremoços necessitam adoçamento, e assim todos eles.
E encontramos ainda que Turnus Rufus perguntou a Rabi Akiva: “Quais obras são mais belas — as do Céu ou as da carne e sangue?” E ele lhe respondeu: “As da carne e sangue são mais belas.” E, para confirmar suas palavras, trouxe-lhe espigas e pães assados, e lhe disse: “Qual deles é mais belo?”
E realmente nossos olhos veem que todas as coisas naturais, quando deixadas à sua natureza sem o trabalho e a ação do homem, fazem aquilo que está em sua lei natural, mas não em perfeição; e quando o homem se ocupa com elas e ajuda a sua natureza, ordenando seus resultados na ordem apropriada, então aparecem de modo mais claro, completos e belos — e isso é simples.
Por exemplo: uma árvore, se deixada à sua natureza sem cultivo, mesmo dando o fruto próprio à sua espécie, não se igualará em sabor ou em beleza ao que dará quando for cultivada. E a própria terra que não for trabalhada, adubada e cuidada, ou não dará fruto algum, ou o dará magro e deficiente — exceto em alguns poucos lugares onde a preparação natural é tão abundante que não necessitam de trabalho, mas isso não é o caso geral.
Conclusão do assunto: o Criador, bendito seja, deixou aos seres humanos aquilo que está ao alcance de suas mãos, para que cresçam com seus esforços aquilo que o teva (natureza) produz.
E o mesmo ocorre com o intelecto do homem: embora a capacidade de compreensão (hasagá) esteja nele naturalmente desde o princípio, se não for trabalhado, será como a árvore não cultivada e como a terra sobre a qual não se prestou atenção; pois, embora não deixe de compreender muitas coisas — assim como a árvore não deixa de dar seu fruto natural —, ainda assim sua compreensão após ter sido trabalhada não se igualará à compreensão sem esse trabalho, assim como o fruto da árvore cultivada não se iguala ao fruto sem cultivo.
E assim como ele necessita aprendizado nos objetos da realidade — isto é, todos os muskalot (conceitos inteligíveis) que são sua ocupação — e sem isso seu entendimento não sairá do potencial ao ato, assim necessita estudo da própria hasagá (faculdade de compreender), para que sua compreensão dos muskalot seja completa, ordenada, e não deficiente ou confusa.
E realmente, para esse fim, os sábios que nos precederam se esforçaram em organizar as ordens da hasagá e esclarecer suas leis corretamente, observando o que ocorre ao intelecto em suas compreensões — proveniente da hasagá e da ignorância, da imagem verdadeira e da falsa — para que se saiba do que deve o homem se guardar em sua hitbonenut (contemplação analítica), a fim de não errar, e do que deve se apoiar para alcançar a verdade.
E toda esse estudo é o que se chama Melechet HaHiggayon (a Arte do Raciocínio / a Lógica).
(...) Rogo-te, leitor querido: pára e contempla (עמוד והתבונן – amod vehitbonen), ouve, acrescenta ensino e conhecimento, e será deleite para tua alma."
Shalom, Razá Ilaá! 😻🖖🏼

O SEGREDO DO GILGUL

Durante muito tempo me perguntei por que os mestres chamaram o retorno das Almas de Gilgul no sentido de Rodas e eu não sabia que lá num son...